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Dois dias não são nada, e um mês demora o inferno para passar. Quando o amor está longe, cada despedida é uma pequena morte. A vida de amor de rodoviária é para poucos, é para os escolhidos, é para aqueles que não têm opção – você vai fazer o quê? Largar um mundo de felicidade porque não quis enfrentar a dor de ficar longe? Covardia não é minha área.

Mas um pedaço meu morria todos os dias durante um mês que separava um reencontro do outro. Levantar da cama, depois de um ano nessa rotina, era uma tarefa inútil. Não havia nada de interessante depois de abrir os olhos. Cama, banho, ônibus, trabalho, ônibus, e três horas por dia no Skype. Três horas incríveis no início, mas que, aos poucos, viravam três horas de lembranças de tudo o que eu estava perdendo. Três horas pensando que não tinha mão dada, não tinha carinho, não tinha colo no fim do dia, não tinha cinema juntinho no fim de semana, não tinha o olhar inconfundível dele pra mim, não tinha o chamego que ele me fazia sempre que acordava do meu lado. Eu quero dormir com você. Dormir, todos os dias. Amar de longe é privar o amor da sua vida de fazer parte dela.

Trabalhar se torna o jeito que você tem de economizar dinheiro para a passagem, o hotel, a viagem. Sexta-feira, dia de rodoviária. A mesma que, a cada 30 dias, me vê chorando na volta para casa, agora me recebe com o maior dos sorrisos no rosto. Passagem, seis horas de estrada e, finalmente a Cidade Maravilhosa. A cidade mais maravilhosa que eu poderia querer. Para dois dias de uma alegria que eu não tinha encontrado em 22 anos. Dois dias com meu amor, meu melhor amigo, minha pessoa nesse mundo.

48 horas depois, estou ali, mais uma vez, parada ao meio fio, à meia-noite de um domingo, do lado de fora da rodoviária do Tietê, a maior de São Paulo, a maior da América Latina, a maior do universo quando, no fim do feriado, milhões de pessoas passam por você e aquela dor que não para te lembrar que você está sozinha de novo. Dói quando seu coração não bate mais dentro de você. E quando ele bate em um peito em outro estado, a seis horas de distância.

Um ano de distância, um ano de solidão, um ano de choro, um ano de uma vida incompleta, de vida suspensa. O ano mais feliz da minha vida. Um ano em que eu vivi na beirada entre a angústia extrema e a felicidade mais completa que você pode imaginar. Um ano em que eu não tive medo, não tive receio, não dei um passo para trás, não me impedi de viver porque não queria sofrer. Um ano que eu vivi tão intensamente que tremia com a vida que passava através de mim. Até que.

Apartamento, proprietária, contrato. Aluguel adiantado, mudança, prédio sem elevador, nosso primeiro lar, adeus Rio de Janeiro.

Meu gordo, posso te falar uma coisa?

Fala, minha lindona.

O seu peito é meu lugar preferido nesse mundo.

às musas.

De tempos em tempos, alguma coisa parece que mexe comigo. Tem gente que chama isso de inspiração. Eu chamo solene e respeitosamente de falta do que fazer.

É um daqueles momentos em que você precisa desenhar, precisa cantar, precisa sair dançando por aí. Como não sei fazer nada disso, eu escrevo. O que também faço mal e porcamente, mas sou boa atriz, tenho a pose necessária.

Uma vez um que já foi dos grandes amigos me disse que era um charlatão. Que fingia que sabia muito de teatro – e, para sua sorte, as mulheres que estavam com ele acreditavam. Vez ou outra eu gosto de acreditar que eu também não valho muita coisa e que, ingênua que sou, acredito em mim mesma como próximo gênio da humanidade.

Dizem que é preferível correr atrás da verdade do que viver uma mentira. Eu corro atrás da mentira. O que é bastante contraditório no meu caso, que gosto de pensar que uma das minhas maiores qualidades é a paixão pela autenticidade, em mim e nos outros, pela espontâneidade irrestrita. Dane-se: eu não acredito em realidade, mas acima de tudo na contradição.

Boa idéia, Vanessa: minha próxima história vai ser sobre incongruências da vida. Não espere de mim, no entanto, a coerêcia de terminá-la.

Colação

Cinco anos depois, a Cásper já não é mais uma realidade na minha vida.

E eu, que no ano passado estava com tanto medo de quando esse momento chegasse, estou muito melhor sem ela.

Gênio atormentado

Descobri que sou meio House: não sei ser feliz e genial ao mesmo tempo.

No momento, estou feliz.

O lema da minha vida

Nerds? Computadores?

Faculdade Cásper Líbero, 2008. Palestra de Sérgio Amadeu sobre uma coisa nova meio louca que estavam querendo implementar no Brasil: chamava Campus Party. Uma espécie de acampamento de nerds tecnológicos que se reuniam atrás da grande terra prometida: a conexão banda larga de alta velocidade.

Na época, eu: nerds geeks? computadores? chuveiro público? ahn, não.

Dois anos depois estou eu aqui, escrevendo do maior evento de tecnologia do mundo, a Campus Party Brasil 2010, ao lado de nerds geeks que me fizeram muita companhia e dominaram meu skype (como não?) nos últimos sete meses, desde que me tornei uma podcaster. Chique, não?

Nerds? Computadores? Podscast? Não. Um bando de gente divertida e inteligente tentando fazer comunicação e, se possível, ganhar algum dinheiro com isso. Se não, pela foto parece que a gente está se divertindo, não?

Avatar

Se você ainda não assistiu, em 3D, ao novo filme de James Cameron, saia correndo do computador e vá até o cinema mais próximo. Uma das experiências mais lindas que eu já tive dentro de uma sala de cinema.